ADIP: Como eu vim parar aqui


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Ontem eu participei de uma das maiores manifestações de amor ao próximo em Teresina, a Caminhada #AssinaElmano. Um evento que já entrou para a história da cidade e, porque não dizer, do Piauí, haja vista que é a primeira vez no Estado que um movimento iniciado em uma rede social (Twitter) ganha forma, cor e o amor das pessoas, que se reuniram na Avenida Raul Lopes para manifestarem apoio a uma causa tão nobre: um tratamento mais humano e menos doloroso para os portadores de diabetes.
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Canetas que aplicam insulina na medida certa e que não traumatizam
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A Jeane Melo pediu mais uma (última, segundo ela) tréplica sobre as últimas declarações da Fundação Municipal de Saúde, postadas em nosso post anterior. Ele comenta, de forma detalhada, cada explicação da assessoria de comunicação da FMS. Tréplica concedida. Leiam:
FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE:
“A Fundação Municipal de Saúde vem mais uma vez responder aos questionamentos do blog sobre o fornecimento de insulina. A insulina em questão é comprada pela FMS, com recursos da própria instituição, e sempre que a criança necessita do medicamento este deve ser encaminhado, por meio de processo, para o setor de compras. A FMS já solicitou aos médicos da criança que encaminhem a quantidade exata de insulina e outros insumos utilizados mensalmente para que seja feita uma compra maior e para que não falte para o tratamento. Como até o momento isto não aconteceu, a FMS compra a quantidade padrão para o tratamento. Essa informação é importante até para que a FMS reserve recursos financeiros para esta aquisição.”
RESPOSTA DA FAMÍLIA DO ENZO:
Para a família, o que menos interessa é de onde vem os recursos para bancar o tratamento, já que o dinheiro pago em imposto por todos nós também é exigido sem muitas explicações e sem garantia de retorno. O que importa é que a criança é portadora de uma doença crônica (Diabetes Melittus Tipo 1), e, como tal, deverá ser amparada pelas instituições de saúde públicas. E quando se diz DOENÇA CRÔNICA, se quer dizer que O TRATAMENTO NÃO PODE SER INTERROMPIDO, caso contrário, acontecerá o mesmo que aconteceu com o garoto Fabinho, 14, que morava no Rio de Janeiro e teve sua vida ceifada por negligência da justiça e dos gestores de saúde de lá que não bancaram o cilindro de oxigênio que o garoto necessitava.
Vale lembrar que, no início do tratamento do Enzo – em 2005, se fazia necessário o protocolo de processo sempre que fosse requisitar a medicação, visto que não estava regulamentada e em vigor a Lei 11.347/2006. Mas quando houve a promulgação da lei, nos foi informado que não seria mais necessário todo esse trâmite burocrático. No entanto, nunca nos recusamos a agir dentro da lei e a atender todas as exigências.
Quanto ao documento que falta ser entregue, gostaria de lembrar que essa instituição SEMPRE solicita novos documentos, assinaturas, autenticações, etc., que são SEMPRE providenciados. No caso apresentado pela jornalista, realmente falta um novo documento para ser entregue, mas que não é empecilho para o processo que aguardamos (045.08.685/10 de 09 de julho de 2010), e sim para o de nº 045.10.729/10 de 25 de agosto de 2010, e aqueles que virão. Estranhamos a solicitação de mais esse documento, já que sempre informamos a quantidade mensal de medicação. Agora a FMS quer que a gente apresente a quantidade diária. Aliás, conta simples de se fazer, é só pegar a quantidade mensal e dividir por 30 dias. Mas enfim, burocracia é burocracia...
Vale registrar, também, que existem casos em que é cobrado, inclusive, um novo relatório médico do paciente,o que nos estranha, pois até onde sabemos, o diabetes não tem cura. Para nós, esta, nada mais é, do que uma forma encontrada pela FMS para “ganhar” tempo. Aliás, segue para o conhecimento do autor do Blog uma planilha de controle dos nossos pedidos junto à FMS apresentando a lentidão da entrega, uma média de 112 dias entre a solicitação e a distribuição. Quer dizer, mesmo atendendo as MUITAS exigências, recebemos apenas cerca de 4 kits de medicação por ano, suficiente – cada um deles – para 1 meses de tratamento.
FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE:
“E como já foi dito anteriormente, a criança poderia fazer o tratamento com a insulina fornecida pela FMS, mas é uma opção da mãe, que a criança faça outro tipo de tratamento. Sabemos que a mãe só quer o melhor para seu filho, entretanto a FMS deve seguir as normas e determinações do Ministério da Saúde.”
RESPOSTA DA FAMÍLIA DO ENZO:
A família do Enzo quer o melhor para o Enzo. Realmente preferimos o uso da insulina administrada em caneta por motivos bem pertinentes. Segundo muitos estudos, dos quais vocês deveriam estar familiarizados, 60% a 80% dos pacientes diabéticos que utilizam as seringas convencionais falham em algum aspecto na administração da insulina. O uso da caneta injetora de insulina está associado a maior precisão na dose e maior segurança no tratamento. E mas, as agulhas utilizadas nas canetas são menores que as usadas nas seringas convencionais, portanto, MENOS DOLOROSAS para o tratamento em crianças. A caneta realmente dá maior certeza ao paciente da dosagem aplicada, reduzindo riscos de hipoglicemias e de hiperglicemias. Com estes mesmos argumentos, o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande - MS apresentou este ano um projeto de lei defendendo a distribuição de canetas de insulina reutilizáveis e outros materiais necessários ao controle. Pelo projeto, o Poder Executivo ficaria autorizado a manter em caráter permanente a distribuição de fitas glicêmicas, canetas para aplicação de insulina, agulhas descartáveis, refis de insulina, lancetadores e lancetas. Sabe por que o parlamentar Paulo Siufi – que também é pediatra – criou esse projeto? Porque se preocupou com as pessoas. Infelizmente a FMS só se preocupa com as NORMAS do MINISTÉRIO DA SAÚDE. O parlamentar defendeu o uso da caneta inclusive pensando nos jovens, já que a seringa está associada ao uso de drogas e tem, freqüentemente, exposto os diabéticos a situações vexatórias.
O que mais nos aflige, ao ver esta resposta, é sentir o nível do descompromisso dos nossos gestores. A resposta é clara: sabemos que a mãe só quer o melhor para o filho, entretanto só queremos fazemos o “feijão com arroz” e pronto!
O que nós queremos, na verdade, não é só o melhor para o Enzo, mas o melhor PARA TODOS OS ENZOS. E queremos sim O MELHOR TRATAMENTO.
FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE:
“Sobre a Lei nº 11.347, quem faz a revisão e adequação dos medicamentos é o próprio Ministério da Saúde que determina quais medicamentos devem ser fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lista foi atualizada em 2010, mas não contempla os medicamentos usados pela referida criança.
RESPOSTA DA FAMÍLIA DO ENZO:
Mais uma vez, repetimos: quanto ao tipo de tratamento que desejemos para o nosso filho, é sim uma opção nossa. Ainda mais numa situação como a do nosso Enzo, que tem que receber várias picadas por dia, entre glicemias e aplicações de insulinas, uma média de 12 furadas. Parafraseando o famoso comentarista Arnaldo César Coelho: "A Lei é CLARA!" A Lei 11.347 diz:" § 2o A seleção a que se refere o § 1o deverá ser revista e republicada anualmente ou sempre que se fizer necessário, para se adequar ao conhecimento científico atualizado e à disponibilidade de novos medicamentos, tecnologias e produtos no mercado."
Se não estão atualizando sempre que necessário, não é por culpa daqueles que precisam. Agora, aqueles que precisam, irão em busca de seus direito. E nós iremos!
Mas enfim, gostaríamos só de fazer mais uma pergunta: porque, por exemplo, os gestores de Caxias –MA conseguem entregar mensalmente, e sem tanta burocracia, a melhor medicação indicada para o tratamento e a FMS não consegue? Atentem, ainda, que o Município de Caxias também arca com despesas de tratamento fora do domicílio mensalmente.
FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE:
“Os casos que não estão previstos de distribuição de medicamentos pelo Ministério da saúde são analisado individualmente e alguns pacientes conseguem algumas melhorias por meio de processo judicial. O que não é o caso em questão, visto que a FMS sempre se mostrou aberta as solicitações apresentadas pela mãe da criança. Mas, como já foi dito anteriormente é preciso seguir as regras para a aquisição do medicamento.”
Sobre o Roacutan, medicamento utilizado no tratamento contra Acne, este é realizado pela Secretaria Estadual de Saúde e não pela FMS.
RESPOSTA DA FAMÍLIA DO ENZO:
As regras sempre foram por nós seguidas. Sempre tentamos agir de forma amigável, mesmo quando fomos recebidos pela Promotoria de Justiça, na pessoa da então Procuradora Denise Aguiar e da Dra. Cláudia Seabra. Na época, o Dr. João Orlando – presidente dessa instituição, fez um acordo com a Procuradora Denise Aguiar, garantindo a entrega da medicação. Enfim, aceitamos o acordo e não conseguimos êxito. Agora, já retomamos o processo com muita fé em Deus que tudo isso vá se resolver um dia, já que sabemos que não pedimos nenhum absurdo, apesar do processo ser absolutamente humilhante, sendo encarado até como mais uma cruz dentro dessa nossa missão.
Sobre o Roacutan, se é distribuído pelo Estado ou pelo Município, lamentamos da mesma forma. Só sei que a medicação, além de cara e de servir para fins estéticos, também é paga com o nosso dinheiro.
Concluímos afirmando que não somos ricos, nem temos parentes no poder, mas temos CONSCIÊNCIA DOS NOSSOS DIREITOS.
Lamentamos mais ainda que essa defesa frágil, elaborada pela Assessoria de Comunicação da FMS, tenha sido postada na semana que eleva o tema e a importância do controle e da prevenção do diabetes, pois dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. Aliás, uma data trabalhada mundialmente, mas que passa em branco, mais uma vez, em nosso estado.
Finalizamos enviando um abraço às famílias de diabéticos que, como a nossa, SOFRE, LUTA E SOBREVIVE a isso tudo.
Não desejamos mais levar essa conversa adiante, já que, o máximo que podemos esperar de alguns gestores da FMS, é o excesso DE BUROCRACIA, DE ACOMODAÇÃO E DE INSENSIBILIDADE.
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Manoel Filho
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Sobre o caso das insulinas, tratado no post intitulado "Enzo's estão sem receber insulina", segue mais um direito de resposta concedido à Fundação Municipal de Saúde:
A Fundação Municipal de Saúde vem mais uma vez responder aos questionamentos do blog sobre o fornecimento de insulina.
A insulina em questão é comprada pela FMS, com recursos da própria instituição, e sempre que a criança necessita do medicamento este deve ser encaminhado, por meio de processo, para o setor de compras. A FMS já solicitou aos médicos da criança que encaminhem a quantidade exata de insulina e outros insumos utilizados mensalmente para que seja feita uma compra maior e para que não falte para o tratamento. Como até o momento isto não aconteceu, a FMS compra a quantidade padrão para o tratamento. Essa informação é importante até para que a FMS reserve recursos financeiros para esta aquisição.
E como já foi dito anteriormente, a criança poderia fazer o tratamento com a insulina fornecida pela FMS, mas é uma opção da mãe, que a criança faça outro tipo de tratamento. Sabemos que a mãe só quer o melhor para seu filho, entretanto a FMS deve seguir as normas e determinações do Ministério da Saúde.
Sobre a Lei nº 11.347, quem faz a revisão e adequação dos medicamentos é o próprio ministério da Saúde que determina quais medicamentos devem ser fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lista foi atualizada em 2010, mas não contempla os medicamentos usados pela referida criança.
Os casos que não estão previstos de distribuição de medicamentos pelo Ministério da saúde são analisado individualmente e alguns pacientes conseguem algumas melhorias por meio de processo judicial. O que não é o caso em questão, visto que a FMS sempre se mostrou aberta as solicitações apresentadas pela mãe da criança. Mas, como já foi dito anteriormente é preciso seguir as regras para a aquisição do medicamento
Sobre o Roacutan, medicamento utilizado no tratamento contra Acne, este é realizado pela Secretaria Estadual de Saúde e não pela FMS.
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Manoel Filho
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A Jeane Melo me perguntou se ela teria direito a uma tréplica logo após ler a resposta da Fundação Municipal de Saúde sobre o caso da falta de insulinas na FMS. Lógico que tem, Jeane. Este blog pode não ser famoso, mas democrático, sim! Vejam (e leiam) a tréplica da Jeane:
Oi, Manoel!
Mais uma vez, parabéns pelo texto e obrigada pelo espaço! Vi aí a "defesa" da Fundação Municipal de Saúde e lamento mais uma vez que as coisas sejam tratadas dessa forma. É até meio hilário vê-los "falando" de leis como se elas valessem de fato. Até outro dia a FMS dava Roacutan para gente que queria ficar com a pele em dia, sem acne. Aliás, uma medicação caríssima e com objetivo puramente estético. Agora eles aparecem com essa história de que a insulina do Enzo, que serve para garantir a VIDA dele, é especial e difícil? Se o seu filho fosse picado para tomar insulina até 5 vezes ao dia, você não ia querer a melhor agulha e a melhor insulina? Vale esclarecer que, fora as furadas na hora da insulina, tem ainda as várias picadas diárias na realização das glicemias. Vamos ser, no mínimo, sensíveis, não?
As pessoas, infelizmente, não tem cultura pra reivindicar e muitas até desistem da medicação da Fundação Municipal de Saúde, porque ele amam "matar um no cansaço".Eu só quero dar qualidade de vida ao meu filho, o que é muito difícil pra quem tem essa doença. E mais, tenho esse direito de querer e as outras mães de diabéticos também. Muitas nem sabem que podem solicitar e que devem sim serem atendidas. Em São Paulo, por exemplo, as coisas funcionam de verdade, tem até gente saindo daqui para terem os direitos respeitados por lá. A esposa de um diabético confidenciou isso pelo twitter esses dias. Em Caxias-MA, a prefeitura paga não somente todo o tratamento, como a despesa de transporte para acompanhamento médico em Teresina. Isso mensalmente, sem falhas, inclusive oferecendo a tal insulina especial. Conheço também uma mãe em Recife que recebeu do SUS a famosa Bomba de Infusão de Insulina - o que de há de mais sofisticado em tratamento para diabetes, e que custa em torno de R$ 11.000,00, fora a manutenção. Olha só que maravilha!
É muito fácil falar quando não se vive o problema. A desculpa da vez é FALTA DE VERBA. Ninguém da FMS fala de leis... Então, digamos que a FMS não tenha a tal insulina em questão, que tal liberar o resto, tirinhas e agulhas? Isso já ajudaria. E muito. O negócio é que esse problema é sério e é sim vivenciado por muita gente. Não se trata de uma confusão promovida por uma mãe cheia de frescura, como ficou nitidamente apresentado no texto da defesa. Lamentável!
O problema é falta de vontade mesmo: doencinha séria e sem cura, pelo visto. Não há medicação pra isso, mas pelo menos não leva ninguém a cegueira, amputação de membros, insuficiência renal. Sorte a dos gestores e coitados dos diabéticos! Tem outra questão, é melhor investir em medicação - especial ou não - ou esperar os efeitos devastadores do diabetes mal controlado que onera os cofres públicos cada vez mais?
Vale só acrescentar que é difícil acreditar na administração pública que, na hora de sonegar medicação, se agarra às leis, mas na hora de cumprir o básico, como a coleta de lixo, se perde. Seria esse um dos deveres dos administradores do município, não é? Esse tema virou polêmica, ganhando espaço em todas as mídias por afetar diretamente a vida e o dia a dia de toda a população teresinense. Ela pressionou e a solução apareceu. Mas quantos diabéticos Tipo 1 há em Teresina mesmo, hein? Concluindo, é fácil desdenhar da minoria e, mais fácil ainda, é dar uma boa desculpa.
Só espero de Deus muita saúde para eu e meu marido continuarmos nessa luta injusta!
Só para finalizar, deixo os dois primeiros parágrafos do Artigo da Lei n° 11.347 de 27/09/06, a jornalista da FMS havia colocado apenas o primeiro:
§ 1o O Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde, selecionará os medicamentos e materiais de que trata o caput, com vistas a orientar sua aquisição pelos gestores do SUS.
§ 2o A seleção a que se refere o § 1o deverá ser revista e republicada anualmente ou sempre que se fizer necessário, para se adequar ao conhecimento científico atualizado e à disponibilidade de novos medicamentos, tecnologias e produtos no mercado.
O segundo parágrafo fala da evolução do tratamento. Que atualização na lista de medicamentos está sendo realizada no momento? O que a Fundação Municipal de Saúde tem feito para melhorar a qualidade de vida e o tratamento dos diabéticos?
[Para quem quiser saber mais sobre a lei, segue o link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11347.htm ]
Obrigada mais uma vez, Manuelzinho!
Jeane Melo - Jornalista e publicitária
Mãe do Enzo, hoje com 5 anos, diabético desde os 9 meses de vida.
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Manoel Filho
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Recebi um email da Samanta Petersen, ela que é da Assessoria de Comunicação da Fundação Municipal de Saúde (FMS), no qual ela solicita um direito de resposta referente ao caso da falta de insulinas naquele órgão tratado em nosso último post. Lógico que este blog concedeu, afinal, nosso intuito não é denegrir nada nem ninguém. Se em algum momento falhamos e deixamos transparecer isso, me perdoem. O que queremos, de fato (e de direito), é que as coisas funcionem como devem funcionar. Agora, sem mais conversa, vamos à defesa da FMS:
Caro,
A Fundação Municipal de saúde esclarece que não é verdadeira a informação que está faltando insulina nos centros de saúde e hospitais municipais. Também não é verdadeira a afirmação que “a Fundação Municipal de Saúde não tem um ‘pingo’ de respeito e preocupação com os diabéticos e deixa, costumeiramente, faltar estes medicamentos e materiais tão indispensáveis para as centenas (quem sabe até milhares) de Enzo’s que dependem dele para viver”.
Qualquer pessoa, seja ela usuária ou não do SUS e das insulinas fornecidas pelo sistema, poderá comparecer nas Unidades de Saúde de Teresina e comprovar a existência de estoques das insulinas padronizadas pelo Ministério da Saúde.
O Parágrafo 1° do Artigo 1° da Lei n° 11.347 de 27/09/06, citada pelo autor do blog, diz que “O Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde, selecionará os medicamentos e materiais de que trata o caput, com vistas a orientar sua aquisição pelos gestores do SUS”.
A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME, na sua 6ª Edição (2009) orienta quais são as insulinas que deverão ser fornecidas pela Fundação Municipal de Saúde (e por todas as secretarias de saúde do país):
• Insulina humana NPH, suspensão injetável 100UI/mL – disponível na apresentação frasco com 10mL;
• Insulina humana regular, solução injetável 100UI/mL – disponível na apresentação frasco com 10mL.
A FMS fornece as insulinas determinadas pelo Ministério da Saúde e estas estão sempre à disposição dos diabéticos teresinenses e podem ser adquiridas com receita médica nos postos de saúde ou nos hospitais.
O presidente da FMS, Pedro Leopoldino não faz “vista grossa” como foi acusado no post. Mas no caso citado pelo blog, a insulina utilizada pelo menor não está na lista do Ministério da Saúde como obrigatória e desta forma não tem na farmácia da Fundação. Se a referida mãe fizer o tratamento da criança com a insulina fornecida a todos os pacientes diabéticos de Teresina, atendidos pelo SUS, o medicamento não estará em falta.
Já no caso específico, é preciso aguardar uma licitação e a dotação orçamentária para que o medicamento seja comprado excepcionalmente para a referida criança.
A FMS está à disposição para qualquer esclarecimento adicional.
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Manoel Filho
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Ocuparei este espaço, hoje, para falar de um assunto muito relevante e que deveria ser tratado com muito mais respeito, atenção e delicadeza: o diabetes. Focaremos aqui o caso mais grave: o diabetes em crianças (tipo 1).
Aliás, me parece que quando o assunto são doenças crônicas como esta que abordaremos aqui, as três palavras que citei acima (respeito, atenção e delicadeza) passam é longe da Fundação Municipal de Saúde de Teresina.
Já venho acompanhando há algum tempo, no Twitter, o drama e as reclamações da Jeane Melo. Jeane é bastante conhecida dos piauienses, especialmente dos teresinenses, por estar sempre envolvida em boas causas, seja ela no campo publicitário ou nos programas especiais promovidos pela Tv Cidade Verde, onde ela trabalha.
E que drama é este?
É que Jeane tem um filho, Enzo (5 aninhos), uma criança linda, cheia de vida, amor e exemplo a dar, e que sofre de diabetes desde os 9 meses de vida. Como se não bastasse, Enzo contraiu o pior caso desta doença avassaladora: o diabetes tipo 1.
[Pausa para explicar um pouco desta terrível doença]
Diabetes é uma doença metabólica caracterizada por um aumento anormal do açúcar no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo, mas quando em excesso, pode trazer várias complicações à saúde. Quando não tratada adequadamente, causa doenças tais como infarto do coração, derrame cerebral, insuficiência renal, problemas visuais e lesões de difícil cicatrização, dentre outras complicações. Embora ainda não haja uma cura definitiva para a/o diabetes (a palavra tanto pode ser feminina como masculina), há vários tratamentos disponíveis que, quando seguidos de forma regular, proporcionam saúde e qualidade de vida para o paciente portador.
[Agora que você já se interou do assunto, voltemos a falar do caso Enzo]
Isso que vocês acabaram de ler é apenas uma PEQUENA explicação sobre o diabetes. E o tipo 1, que, como já disse, é o caso do Enzo, vai muito além das palavras e exemplos acima. A Jeane me contou que o Enzo é monitorado 24 horas por dia; 7 dias por semana; 366 dias por ano (no caso do ano ser bissexto).
E o tratamento?
O tratamento e controle das taxas de glicose no sangue são feitos através de injeções de insulina (principal hormônio que regula a quantidade de glicose absorvida pelas células e que é produzida pelo organismo, ou, no caso de quem sofre de diabetes, não é produzida e deve ser injetada para manter a regularidade das taxas de glicose), que são aplicadas muitas vezes ao dia. Quantas vezes forem precisas.
Não é um tratamento barato. A Jeane me relatou que chega a gastar mais de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) com insulinas e o material para aplicação e controle.
E se a Jeane não pudesse arcar com esta despesa?
Bem, de acordo com a lei nº 11.347 (em vigor desde 27 de setembro de 2007), “os portadores de diabetes receberão GRATUITAMENTE, do Sistema Único de Saúde – SUS, os medicamentos necessários para o tratamento de sua condição e os materiais necessários à sua aplicação e à monitoração da glicemia...”
Oxente! Então por que a Jeane tá gastando esta fortuna toda se a lei ampara quem é diabético e fornece os medicamentos e materiais necessários para aplicação e controle, gratuitamente?
Porque a Fundação Municipal de Saúde não tem um ‘pingo’ de respeito e preocupação com os diabéticos e deixa, costumeiramente, faltar estes medicamentos e materiais tão indispensáveis para as centenas (quem sabe até milhares) de Enzo’s que dependem dele para viver.
A Jeane não se indigna a toa, amigos. Faz mais de 3, TRÊS... TRÊS meses, Sr. Pedro Leopodino (atual Presidente da Fundação Municipal de Saúde de Teresina), que a Jeane solicitou insulinas para seu Enzo e até agora... NADA! Nem notícia. Ela (Jeane) me falou ainda que já chegou a esperar mais de 6 meses para ter sua solicitação atendida.
É, amigos, agradeçam a Deus por mais isto: não precisar das insulinas fornecidas pela Fundação Municipal de Saúde de Teresina.
Seis meses. O que poderia acontecer com o Enzo neste espaço de tempo entre a solicitação e o recebimento do medicamento? Bem, vou ter que usar palavras fortes: Enzo poderia morrer ou, na “melhor” das hipóteses, ficar cego e ter membros amputados.
Ficaram arrepiados? Eu fico é INDIGNADO! Indignado com o Sr. Pedro Leopodino, que é médico e sabe o quanto esta doença é AVASSALADORA, e mesmo assim, mesmo à frente da Fundação Municipal de Saúde, “fecha os olhos” ou faz “vista grossa” para o problema. Indigno-me com as pessoas que não agem de acordo com as leis deste país. A Jeane (e tantas outras pessoas) não está pedindo favor, ela conquistou o DIREITO de receber estes medicamentos e materiais, GRATUITAMENTE.
Então é isso pessoal. Espero que alguém da Fundação Municipal de Saúde leia este post (protesto/desabafo) e o repasse para o Dr. Pedro Leopodino e que este providencie, o quanto antes, o fornecimento das insulinas para os Enzo’s que dependem deste medicamento para viver. E que não deixe mais faltar os tais medicamentos.
Abraços!
(*) Obrigado, Jeane, pelas informações. Espero que este post faça tanto barulho quanto os fogos que soltaremos quando o Enzo receber, da Fundação Municipal de Saúde, as insulinas.
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Manoel Filho
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