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25 junho 2008

A era do saber? Já era...


Fico impressionada com a frivolidade das pessoas hoje em dia. O que há nas cabeças dessas criaturas? Bom, essa pergunta se responde, na maioria das vezes, com apenas uma palavra: NA-DA.

Sabem o que anda rolando na imprensa esses últimos dias? Uma coisa que simplesmente vai mudar e revolucionar a vida das pessoas e do país...

Mulher Melancia e Carla Perez trocando farpas numa disputa ridiculamente patética para ver quem é mais inteligente. Não comecem a rir agora. Vocês têm que se concentrar para poder ler o resto do artigo.

Então a inteligentíssima Mulher Melancia (Mas que coisa! Essa mulher não tem um nome, não?), graduada em Danças Eróticas e Pós-graduada em Balançar os Glúteos em Movimento de Vai-e-vem se achou insultadíssima pelo fato da PhD em Sacodir as Nádegas, Carla Perez, insinuar que está onde está hoje, porque não é só uma "bunda" mas que, também tem "tutano".

Ora, no lugar dela eu também ficaria ultrajadíssima! Onde já se viu dizer uma coisa dessas, não é mesmo? Processa, Melancia!! Processa essa mulher!!

Ai... eu fico bege, bege, rosa, roxa com esse tipo de coisa. Porque, dá pra ver de cara (ou de bunda) que elas fazem questão de demonstrar a grande inteligência enquanto fazem exposição da figura na frente das câmeras. E precisa ser mesmo muito "inteligente" pra fazer isso, convenhamos...

O que me deixa mais triste é saber que, esse estado crítico não pára só aí nessas duas. É como uma espécie de epidemia incontrolável. Você não conhece mais pessoas que tem algo realmente interessante para conversar. As pessoas são absurdamente previsíveis e fúteis.

Talvez a TV tenha uma grande influência nesse lado. Eu tenho formação jornalística... estudei todas as artimanhas que a TV usa para prender a atenção de gente com a mente estreita demais. Vocês podem chegar à esta conclusão ligando a televisão e zapeando os canais num dia de sábado ou domingo, por exemplo, ou até mesmo no horário da tarde durante a semana. É uma enxurrada de besteiras que não acaba mais...

Também sei que a internet tem sua contribuição, com seus textos curtos e suas informações pouco confiáveis. Eu vejo esse problema quando indico meu blog para as pessoas. Assim que elas vêem o tamanho dos textos vão logo dizendo: "Nossa... como é graaaaaaaaaande. Tem certeza de que quer que eu leia?" "Não - eu quase respondo - se você olhar as fotos, eu já fico feliz. Afinal, eu não gastei tempo escrevendo essas coisas pra alguém ler... É só porque eu não tenho o que fazer mesmo."

Pergunte a alguma dessas mentes brilhantes, o último livro que ela leu e, a resposta menos elouquecedora que você vai ouvir é... "Livro me dá um soooooooono..." Se você encontra alguém que tenha algo para dizer e que valha a pena ser ouvido, nem ouse contar para algum conhecido seu que estava conversando sobre a realidade da educação no país, com esta pessoa. Isso já aconteceu comigo! Eu falei pra uma amiga minha e ela me disse exatamente isso: "Amiga, deixa esse cara pra lá! Ele deve ser muuuuuuuuuito chato!" E eu fiquei deprimida.

As pessoas automaticamente começam a pensar que você quer "aparecer", se você tem uma opinião formada sobre algum tipo de assunto. E não era isso que deveria acontecer, afinal. Elas deveriam ter uma opinião formada, TAMBÉM!

E as escolas? Onde é que estão as escolas? Não é lá que devemos ser impulsionados a ter sede de conhecimento? Mas, fala sério!! Quem é que gosta de ir à escola? Niguém gosta!!! Vamos ser realistas. Até eu achava o máximo quando tinha uma desculpa pra faltar à aula. Não sentia urgência nenhuma em ouvir algum dos meus professores e, no tão temido terceiro ano, eu sabia bem mais que a maioria deles. Então, se eu, que dedicava um espaço de tempo considerado ofensivo hoje em dia, para a leitura e obtenção de conhecimentos... Imagine uma pessoa que acreditava em tudo que aqueles caras lá diziam e, ainda assim, não se interessavam nem em arquivar no cérebro, pelo menos metade do que recebiam de informação.

Essas criaturas passaram praticamente a vida toda indo para a escola e, no final, saíram mais vazios do que entraram. Há algo de errado nisso aí, com certeza.

As escolas, pelo menos as nossas aqui no Piauí, se preocupam muito com esse tal de vestibular e não fazem outra coisa senão mudar as mentes vazias de nível médio para nível superior. Ensinam fórmulas que são capazes de colocá-los em uma universidade, para serem deletadas assim que elas terminam de fazer a prova do vestibular. E eu sei bem do que estou falando. Na minha primeira aula de sociologia, do curso de jornalismo, uma das criaturas abençoadas com o seu nome na lista de aprovados, olhou para outra colega com cara de quem acabou de ver um gato lendo o jornal (em voz alta), no lugar em que se encontrava o professor e perguntou: "Sim... que que tem a ver 11 de Setembro com sociologia?" E meu coração deixou de bater por dois longos segundos.

No meu quarto período de curso, quando eu pensei que o pior já tinha passado, em se tratando de absurdos acadêmicos, eis que a professora nos sugere que façamos aquela velha redação "Minhas Férias", em forma de matéria. "Muito legal", eu pensei. E esse pensamento evaporou assim que ela trocou as matérias e nos pediu para ler a do colega, para todos ouvirem.

Eu fiquei constrangida. Mais ainda do que a pessoa que escreveu aquilo (Porque, se vocês não sabem, eu sofro da Síndrome da Vergonha Alheia. Estou tentando me tratar mas, sabe como é, né? Terapia custa uma fortuna...). Aquele papel que estava em minhas mãos não continha UMA frase com sentido completo e era como se eu estivesse lendo algum tipo de informação codificada ou outro idioma. E com o perdão do palavrão... PUTA QUE PARIU! O cara estava no QUARTO período de jornalismo!! E eu me perguntei como foi que ele conseguiu AO MENOS passar no vestibular. Porque, se vocês não lembram... é preciso fazer a droga de uma redação e fazer a droga de uma boa pontuação na droga da redação, para poder passar na droga do vestibular.

Esse cara deixou para trás 13 pessoas e ficou com uma vaga. Agora, eu me recuso a pensar no nível de inteligência dessas 13 pessoas... Tentem não pensar também. Para preservar a nossa sanidade mental.

Nós estamos passando por uma época de regressão. Um tipo de Idade Média, só que ao contrário. Quando naquele tempo, os donos do conhecimento trancafiavam os livros para que os demais ficassem prisioneiros, as pessoas tinham necessidade de tocar, ainda que fosse com a ponta dos dedos, um pouco do saber, como forma de libertação. Hoje, quando o saber é que está livre e nós podemos ler qualquer livro, estarmos informados sobre qualquer coisa... a maioria simplesmente se recusa a agarrar com as mãos, isso que foi conquistado pela luta de tantos. Elas querem voltar à escuridão. É mais cômodo. Dá até pra usar aquelas coisinhas que piscam no escuro e que se pode pendurar no pescoço.

Às vezes eu sinto uma aflição muito grande. Porque é como se eu fosse uma Enciclopédia da Inutilidade. Eu sei de tanta coisa e não tenho com quem conversar. E, as coisas que eu não sei, eu não tenho com quem aprender. Eu me sinto limitada e sufocada. Se eu for comentar com alguém que eu adoro a pintura impressionista, a única coisa que eu vou ouvir é o som dos grilos ao fundo. Ou talvez, se eu estiver com muita sorte, eu posso até ouvir um: "Onde eu encontro um decorador que faça isso?"

E então eu ligo a TV e vejo Carla Perez e Mulher Melancia, grandes "artistas" da atualidade, falando insultos uma à outra, porque alguém insinuou que uma delas não era inteligente. Francamente... É o fim dos tempos.


11 junho 2008

Viva as diferenças!


Quero pedir desculpas aos meus queridos leitores por não ter postado, na semana passada, nenhum artigo no qual eu dou minha opinião impertinente e não solicitada sobre assuntos que eu mesma escolho seguindo o critério... da minha vontade mesmo.

O fato é que eu estava com TPM e sem nenhuma inspiração porque, afinal, nesses períodos, o meu cérebro fica no lugar do meu útero e meu útero toma o lugar do meu cérebro, de modo que nenhum dos dois consegue desempenhar as novas funções.

Mas, isso é bobagem, não é mesmo? Porque, ora, nós só ficamos por três ou quatro dias, como vocês homens, são o tempo todo. Brincadeirinha! Só pra descontrair o ambiente...

Agora essa tal de TPM passou e eu voltei a raciocinar direito e fomular pelo menos uma frase com sentido completo. Ufa! Já não era sem tempo.

Então, durante a semana passada, vários assuntos me chamaram a atenção mas, eu não consegui escrever sobre nenhum deles. E agora que tudo já voltou para o seu devido lugar, é hora de voltar ao batente.

Eu acho que todo mundo acompanhou o caso dos sargentos gays. Eu vi algumas coisas na TV. Não gostei nenhum pouco do que vi. E uns dias depois eu estava passando do quarto para a cozinha e parei na frente da televisão para acompanhar um matéria sobre o preconceito sofrido pelos homossexuais, mais especificamente, nas forças armadas.

Quero deixar bem claro que, não estou aqui para falar mal do exército brasileiro, embora não tenha nenhuma simpatia. Ora, nós já vimos várias notícias de como eles gostam de tratar os rapazes que vão lá para servir a pátria e as práticas usadas para torná-los MACHOS de verdade. Francamente, isso me deixa nauseada.

Eu vi a prisão do sargento em uma emissora de TV. Vocês prestaram atenção na quantidade de homens armados que havia lá fora, esperando por ele? Sinceramente, dá vontade de dar risada. Porque é isso que a gente faz quando vai ao circo e, convenhamos, aquilo ali era um circo.

Mas eu não quero falar aqui unicamente desse caso, mas de uma forma geral. Preconceito é uma coisa muito feia. Todo mundo sabe disso. Mas nós somos pessoas preconceituosas mesmo assim.

Discriminar uma pessoa por ela ter uma opção sexual diferente da sua é uma tolice das mais absurdas. E é absurda porque, não é isso que vai te dizer como é o caráter daquela pessoa. Poxa! Há coisas mais produtivas com que se ocupar! Ninguém tem nada a ver com a vida íntimas das outras pessoas e no resto, elas podem fazer tudo o que você faz, e até melhor.

Eu tenho amigos gays. Tenho amigOs, homens, que têm amigos gays. Isso não muda em nada a orientação sexual deles. Não é nenhuma doença contagiosa que você pega de repente. Se você acha isso, meu amigo, no mínino quer dizer que já existe uma certa tendência porque, ele já se decidiu, o problema aí, é contigo.

Acho essa relação das diferenças, uma coisa muito bonita. Acho bonito como meus amigos héteros tratam seus amigos gays, porque isso é só um detalhe. O que importa é como a pessoa é por dentro. Se tem caráter, se é honesta, se é amiga.

Acho que essa confusão maior se deve à mente estreita das pessoas. E é uma grande contradição, se pararmos para pensar que o caminho é a evolução de pensamento, de regras, de comportamentos. Isso é inevitável! E eu fico profundamente revoltada com todas as forças da minha alma, principalmente quando esse tipo de ignorância vem de gente instruída.

Tempos atrás eu assisti na TV o caso de uma transexual que foi impedida de adotar uma criança porque um juíz absurdamente ignorante, preconceituoso e arcaico achou que ela não tinha o direito de ter um filho.

Primeiro que ele não a chamava pelo nome de mulher. Ela era uma mulher. Ela já havia feito cirurgia e tudo. Não tinha nada de homem nela, a não ser o nome (e nem isso ele dizia). Eu achei uma falta de respeito ele se dirigir a ela como: "Este senhor" ou "Eu nem sei como chamar isso...". Poxa. É uma humilhação e uma atitude muito feia, partindo de um juíz, que está naquele lugar para fazer valer os nossos direitos. E ele estava vetandos os direitos dela e daquela criança.

Ela tinha uma união estável, tinha um bom emprego, o marido também, uma casa confortável e a grande vontade de ter um filho. Mas ele não achou isso suficiente. Então ele tirou a criança dela e a colocou em um abrigo, frio e impessoal (que por mais que os funcionários se esforcem para cuidar e amar aquelas crianças, não é como um lar de verdade).

Se vocês não sabem, eu vou contar aqui como é a realidade das crianças que vivem nos abrigos do país, à espera de um pai e uma mãe que os adote.

Crianças com mais de um ano de idade e negras estão fora do perfil mais procurado pelos candidatos a pais. Esta criança então, já estava destinada a permanecer nesse abrigo até completar idade para sair, Deus sabe para onde, porque o futuro delas é um conjunto de incertezas. Então, ela passaria os próximos 17 anos sem os pais que a escolheram porque o tal juíz achava que eles seriam más influências. E foi isso que me deixou mais indignada. Ele falava como se eles fossem criminosos sem alma e piedade. E eles não eram! É como se fosse um crime eles terem outra opção sexual! E, na verdade, o crime era a postura dele!

Ninguém é influenciado nisso. É uma coisa que já está dentro da pessoa. Então como ele explicaria o fato de que várias pessoas, criadas e educadas por casais héteros, são homossexuais?

Eu acho que essa criança seria muito amada e bem educada e ele tirou esse direito dela, por puro preconceito. É uma coisa bastante triste.

Não desrespeite as pessoas por elas serem diferentes. O fato delas serem diferentes é que dá graça ao mundo. O que importa é o que elas são por dentro e não a orientação sexual, a cor da pele, o nível social. Se coloque no lugar delas e RESPEITE as pessoas. RESPEITE as pessoas.

Todos nós temos o direito de sermos felizes, desde que não façamos mal aos outros.

Parece uma coisa meio utópica, o que eu estou querendo aqui. A evolução do mundo também deixou as pessoas mais cruéis e sem sentimentos. Mas eu passo a minha vez. Não quero isso pra mim. Gosto das diferenças, eu já disse. Acho bonito.

Sei que é quase impossível, mas gostaria de não ver mais coisas desse tipo acontecerem. Somos humanos antes de tudo. E é como humanos, com coração, que devemos agir.

É isso aí!

28 maio 2008

O que é a felicidade.



No último fim de semana, dois amigos meus, que moram bem longe um do outro e não se conhecem, vieram me falar de uma mesma coisa. Os dois estavam se sentindo estranhos. Eles sentiam tristeza, ficavam mal-humorados de repente, sentiam uma angústia, um vazio, tudo isso, sem explicação. Eles não sabiam me dizer de onde vinham esses sentimentos e nem porquê.

Eu perguntei como estava a vida de cada um e os dois, deram respostas parecidas. A família estava bem, os estudos estavam bem, eles não tinham motivos aparentes para se sentirem assim e isso acabava piorando a situação.

Então eu, no alto da minha sabedoria-milenar-de-parachoque-de-caminhão, disse para eles que isso é uma coisa normal da vida. Todo mundo sente isso ao menos uma vez durante a sua existência. É claro que, no caso das mulheres, isso recebe o nome científico de TPM e acontece com uma freqüência maior mas, pensem bem, se os homens também tivessem esse troço todos os meses, o mundo não teria passado de Adão e Eva, não é mesmo? Tem que ter uma organização na coisa toda...

E isso é verdade mesmo. O ser humano é um bicho muito esquisito e complicado. Nós procuramos a felicidade o tempo todo, é como uma caça ao tesouro. Um tesouro muito precioso. O problema é que, quando nós o temos na palma de nossas mãos, simplesmente não conseguimos enxergar e, quando um ou outro consegue, ele ignora aquilo descaradamente e vai atrás de procurar sarna pra se coçar porque, o que parece, é que essa busca desenfreada pela felicidade é que justifica a vida.

Nós nos damos motivos inexistentes para a infelicidade. Isso é meio doido. Parece que ninguém se acha digno de ser feliz porque, quando você finalmente tem consciência de que é, começa a questionar se merece! Putz! Já vi um povo pra gostar de problema, viu?

Esses dois garotos estavam (e estão) felizes, sem problema algum na vida, tudo uma maravilha. Então, eles resolveram inventar alguma coisa mais emocionante pra passar o tempo. Um resolveu se perguntar se merece essa felicidade que está sentindo e o outro, resolveu criar um complexo com o peso dele e agir como se fosse uma modelo adolescente de 16 anos e se alimentar só água durante todo o dia. E olha só a coisa mais maluca... Ele têm consciência disso tudo! Ele SABE que isso é coisa da cabeça dele. Ele mesmo me disse isso com todas as letras! Vai entender...

Esse negócio de felicidade, é como o amor. A gente procura, procura, procura e, quando tá na nossa frente, a gente automaticamente, vira a cara. Fica inventando uma complicação medonha sobre essas coisas, mesmo sendo algo absurdamente simples!

Um desses meus amigos me disse: "Está tudo tão bem, que me dá um medo. Hoje pode ser assim e amanhã pode não ser mais..."

Eu sei o que ele está sentindo. Eu já senti isso também (e pasmem! Fora do meu período de TPM). Mas, o que eu tento todos os dias colocar na minha cabeça é que, felicidade eterna não existe. É isso mesmo. Lamento desapontar os que achavam isso. E eu não estou falando porque eu decidi que é assim.

Há quase dois anos atrás, uma amiga minha me deu para ler, a entrevista de um psicólogo na revista Veja. O americano Steven Hayes, de 57 anos, falou sobre esse negócio de felicidade. Ele disse que felicidade não é normal, a dor é que é. Isso é um absurdo! Você pensa. Mas eu acho que ele está totalmente certo. Como? Vamos seguir o raciocínio dele.

Steven Hayes diz que, felicidade é vista sempre como a ausência completa de dor. Quer dizer, o indivíduo só é feliz de verdade, quando não sente dor alguma e nem passa por decepções. Ora, vejam só, nessa vida é impossível você não passar por esses tipos de emoções. Nós não podemos ter o controle de tudo o tempo todo e evitar a mágoa, a chateação, a tristeza, a perda... Por mais que tudo esteja bem, uma hora ou outra, acontecem coisas que a gente não espera e não tem explicação. Como naqueles momentos em que você perde o controle da situação por alguns segundos, deixando a porta escapar e bater no dedinho do pé. Nossa, como isso dói, não é? E você fica se perguntando como foi que aquilo aconteceu, mas não tem resposta! Simplesmente aconteceu! Você não pode ter o controle de tudo sempre. A vida é isso. A dor é intensa, mas uma hora ela passa. Sempre passa.

Então, a felicidade que realmente existe, são momentos efêmeros que vêm e vão, como uma reunião com os amigos, uma viagem muito esperada, uma festa surpresa, o nascimento de um filho, irmão, sobrinho... Esses momentos não duram para sempre, a não ser na memória da gente. Mas a qualquer hora, você pode deixar a porta escapar e bater no dedinho do seu pé, isso é inevitável!

Nós temos que aproveitar esses pedacinhos de felicidade e deixar de se preocupar com a dor que a gente vai sentir mais na frente. Deixar de se perguntar: Será que eu mereço? Ora, a não ser que você tenha passado a perna em alguém para estar se sentindo feliz, você merece sim. Todo mundo merece.

Eu sei o que esses dois estão sentindo. Não é coisa para se preocupar, não é nada grave. Isso aí só é aquela perturbação que dá na gente quando estamos passando para a vida adulta e não sabemos como agir. A gente pensa que é uma coisa muito difícil porque achamos que, ser adulto, é ganhar um monte de conta e problema e que temos a obrigação de conseguir um emprego com salário inicial de cinco mil reais. E na verdade, não é!

A sociedade moderna coloca essa maluquice na cabeça da gente, mas ela está mentindo. Descaradamente. Não acredite nela. Ser adulto é ter determinação para ser o que você quiser e, ser feliz, acima de tudo, em cada gotinha de tempo em que você esteja fazendo uma coisa que goste muito, sem se preocupar com o que vai acontecer de ruim mais lá na frente porque, sobre essas coisas, a gente não tem controle, por mais que a gente tente.

Eu sei que eles vão ficar bem. Todo mundo fica.

E eu vou deixar aqui pra vocês, a letra de uma música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que eu gosto tanto:

A Felicidade
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

"Tristeza não tem fim, felicidade, sim...

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar...

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval,
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento do sonho
Pra fazer a fantasia de rei ou pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

A felicidade é como gota de orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila, depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
(...)
Ps: Apareceram mais dois pra completar aqui a lista. Por isso eu, agora, vou ali procurar uns incensos pra acender e um banho de limpeza espiritual porque o negócio tá brabo e eu não quero que essa "onda" pegue em mim, não. (rsrsrs)
É isso aí!


21 maio 2008

MAIS namorada virtual?




Olha só o que eu vi outro dia na internet... Um cara de 28 anos, 28 ANOS, estudante de graduação da cidade de Nova York, nos EUA, inventou uma coisa que foi chamada... como foi mesmo? Ah! "Um projeto que pode aliviar um pouco a solidão de milhares de homens solteiros ao redor do mundo."

E o que seria este projeto inovador...? Uma namorada virtual.

Aí você diz:

- Poxa! Mas namorada virtual, qualquer um pode ter! É só acessar um desses chats, que estão aí é pra isso mesmo e pronto!

Mas, essa namorada virtual é a coisa mais sem sentido que eu já vi em toda a minha vida. Presta atenção no negócio. A imagem de uma mulher é projetada sobre a cama. Quando o rapaz se deita ao lado dela, sensores fazem uma análise dos movimentos dele e mudam a posição da imagem projetada, de acordo com a do "parceiro" dela.

Tipo, se o cara beija o rosto dela, ela se vira para o outro lado. Se ele se deitar de costas, ela chega mais perto. Se ele se encolher na cama, ela se aconchega. E a pessoa pode programar muitas outras ações para... "tornar a interação mais REAL".

Agora, eu fico aqui pensando, embora, por mais que eu me esforce, não consiga entrar na cabeça de um homem, ainda mais um de 28 anos, estudante da Universidade de Nova York e SOLTEIRO (e só essa invenção maluca já explica o fato de ele ser solteiro e não o fato de ele ser solteiro explica a invenção maluca), porque se ele não ficasse ocupado demais, inventando uma namorada virtual, com certeza, teria uma de verdade.

O pior disso tudo é que, diferentemente do chat, você não pode nem CONVERSAR com a criatura. Quer dizer, você gasta uma fortuna (porque, com certeza, isso vai custar os olhos da cara) para ter uma mulher, fina como um papel, que não fala com você e, ainda por cima, fica vestida o tempo todo.

O "usuário", não vai poder sentir a maciez da pele, a textura do cabelo, o cheiro, nem ouvir a voz dela. Então eu pergunto a vocês, homens: há algum sentido nisso ou eu estou sendo radical demais?

Uns dias atrás eu escrevi no meu blog, o Doida da Lua, como está difícil arranjar um namorado atualmente. Os rapazes parecem que esqueceram como é que se conquista uma garota. E então, eu me deparo com uma coisa dessas... É de querer se jogar da primeira ponte.

Com tanta mulher solteira por aí, um indivíduo prefere se deitar com uma fotografia que se mexe, ao invés de ir atrás de uma mulher de carne e osso.

As pessoas reclamam de solidão. Reclamam o tempo todo. É um dos males do século. Mas eu não entendo essa solidão que atormenta as pessoas. Os homens dizem que as mulheres não querem mais nada sério... As mulheres dizem a mesma coisa!!! Há algo de muito estranho aí... Concordam comigo?

Este rapaz inventor deve estar achando que fez uma coisa maravilhosa para a humanidade mas, ele não sabe o quanto está errado. Sendo uma pessoa tão inteligente como ele é, deveria ter se esforçado mais para aprender a atrair uma mulher que respira. E eu acho que não seria difícil. Poxa, isso não é difícil!!!

Esta invenção não é o que eles estão chamando de "um projeto que pode aliviar um pouco a solidão de milhares de homens solteiros ao redor do mundo". Eles continuarão solteiros, não é o que parece? E... vai que alguns deles é maluco o suficiente para se contentar com a mulher-papel? O que vai ser de nós, mulheres reais? Menos homens disponíveis no mercado, como se a situação já não estivesse suficientemente crítica... Alguém aí sabe onde fica a ponte mais próxima?

Isso vai afastar mais as pessoas. Vão esquecer de vez o que é o jogo da conquista, dos olhares, dos sorrisos, dos abraços, do tocar de mãos. Eu acho que o mundo já está frio o suficiente para chegar alguém e inventar uma coisa que vai distanciar ainda mais as coisas.

Acredito eu que, vocês homens, concordem com isso também. Por favor, digam que concordam e me dêem um pouco de esperança. Esperança de que o amor homem-mulher não esteja entrando em extinção. De que esta é apenas uma fase pela qual estamos passando, um tipo de adaptação meio sem jeito à vida moderna. Que uma hora, nós vamos acabar pegando o jeito da coisa e que as relações humanas vão ser mais... humanas. Que deixará a frieza de um teclado de computador, das caixinhas com conversas instantâneas e será mais calor, mais cheiros, mais pele, mais olho no olho.

As pessoas vão continuar sozinhas, vão continuar reclamando da solidão, se mais alguém resolver desperdiçar inteligência com invenções como esta. Em que, afinal, estamos nos transformando? Até os animais têm uma vida amorosa mais recheada de sentimentos do que a nossa, os "donos do pedaço", os que sentem e sabem dar nome ao que estão sentindo.

Eu quero pensar realmente, que uma hora dessas, as pessoas vão acordar e voltar ao normal. A valorizar as relações, as paixões, o amor. Quero pensar que não vou ouvir mais: "homem nenhum presta!" ou "mulher é tudo interesseira". NÓS temos que pensar como os humanos que somos e não nos tornarmos apenas uma extensão da máquina que usamos para nos cominicar com as pessoas hoje em dia.

Amar é bom, não é? Sentir o outro perto é bom, não é? Então eu desejo que essa "maravilha" da modernidade que foi inventada por esse jovem americano, não desperte nenhum interesse. Desejo mesmo. E não por querer vê-lo pelas costas mas, para o próprio bem e felicidade dele. Niguém pode ser feliz dormindo com uma fotografia que se mexe. Será que pode?!

Eu suplico, aqui, pela opinião de vocês, homens. Me tragam respostas para eu tentar entender isso. E me digam que eu estou terrivelmente enganada. Quem quer a mulher-papel aí, levanta a mão!

E só para refletir...

"Sempre que possível converse com um saco de cimento. Nessa vida só devemos acreditar naquilo que um dia pode ser concreto."

É... esse rapaz de Nova York precisa mesmo ler essa frase...

É isso aí!

15 maio 2008

Por quê??


Você já se perguntou porquê as pessoas têm filhos? Eu sempre me perguntei. Ainda mais depois da minha experiência como professora.

Durante esses três anos em que dou aula, esporadicamente, em uma ocasião ou outra, eu me faço essa pergunta com a mesma vontade que os cientistas têm de saber a origem do universo.

Eu não sou mãe mas, para mim, filhos são coisas tremendamente especiais. Pense no fato de que um ser humano carrega outro ser humano, dentro de si, por nove meses. E eu não dou o mérito só para as mulheres. Nós, sozinhas, não podemos gerar uma vida, os homens também dão a sua contribuição.

Acontece que, eu chego em sala de aula e vejo o descaso com que os pais (des)educam seus filhos. Eu recebo um monte de criaturas que vão com a farda mal cuidada, com o material incompleto, com os deveres sem fazer, crianças que não têm um bom aproveitamento porque os pais não se deram conta de que os filhos não enxergam direito e precisam usar óculos, crianças mal educadas, crianças carentes de atenção... Tanta coisa!

E os pais simplesmente jogam os filhos na escola, achando que é dever do professor fazer todo o trabalho que deveria ser feito por eles e que, na verdade, nem deveria ser considerado trabalho. Ter um filho deveria ser a coisa mais maravilhosa do mundo. O que a maioria das pessoas até diz que é, mas eu não vejo sinceridade nenhuma nisso, se vocês querem saber.

Quando eu dava aula em uma escola, aqui perto de casa, havia um casal de gêmeos na primeira série do ensino fundamental. A professora deles, da alfabetização, me pediu para que eu fizesse com que eles usassem os óculos, porque não enxergavam bem. E esse problema só foi descoberto porque a professora percebeu isso. Os pais dessas crianças passavam o dia fora e, quando chegavam em casa, não davam atenção para os filhos que, por sinal, eram duas crianças lindas.

Eu dava aula de Inglês. Os gêmeos dividiam um mesmo livro, do professor, com as respostas muito mal escondidas por pinceladas de corretivo. Não, isso não era por má condição financeira, eles tinham uma vida confortável. Era descaso mesmo.

Pessoas com um pouco mais de instrução e sensibilidade sabem que, gêmeos, devem ser tratados com cuidado porque, é necessário preservar a individualidade deles. Eles já começam dividindo o mesmo espaço no ventre da mãe e, por mais que se tente fugir, é quase impossível que eles não recebam comparações uma vez ou outra.

O meu trabalho com eles ainda era maior porque, eles não queriam dividir o livro. Agora eu me pergunto: como é que essas crianças iam responder os exercícios do livro? Alternando na hora de escrever as palavras? Como é que elas teriam um bom aproveitamento? E... O QUE É QUE AQUELES PAIS TINHAM NA CABEÇA???

Quando eu dava aula para a alfabetização foi que eu vi mesmo a quantidade de pais relapsos que existe no mundo. O Tiago era um menininho de 5 anos, mal educado e teimoso. Ele estava na alfabetização mas, a coordenação motora dele era péssima e ele não sabia fazer nem as vogais direito. Ele já havia passado pelo Jardim I e II e não sabia escrever as vogais... O problema era com ele? Não. O problema era com as professoras anteriores? Não. O problema era a mãe e o pai, que não davam o suporte necessário depois que ele saía da escola. O Tiago passava a maior parte do tempo na rua e não tinha horários estabelecidos. Ele poderia aprender alguma coisa assim? Nem precisa ser especialista para saber...

Eu dou aula particular para duas meninas de 6 e 7 anos. Elas se chamam Ana e Cristina. São crianças absurdamente inteligentes para a idade e Maria Theresa me surpreende a cada vez que eu converso com ela. Essa menina tem um vocabulário bastante complexo para a idade dela. Conversa coisas comigo que muita gente adulta não fala, porque não tem conhecimento sobre o assunto. Cristina é uma artista. Ela desenha maravilhosamente bem, escreve histórias absurdamente criativas, letras de música, poemas... As notas dela são as melhores e não é pelo meu trabalho, é exclusivamente por ela.

Essa menininha linda e esperta vai poder ser o que quiser na vida (embora ela já tenha decidido ser florista e até já me perguntou qual a cor da pedra do anel de formatura...). Ela tanto poderá ser uma escritora famosa, compositora, pintora de quadros ou mesmo uma ótima advogada ou executiva que toma grandes decisões. Mas a mãe dela sabe de tudo isso? Não...

Os pais são separados e ela mora com a mãe. Ela trabalha o dia todo e quando chega em casa, se tranca no quarto, pede que as crianças façam silêncio absoluto e vai dormir até a hora de sair de novo.

Ela nunca vai saber o quanto as filhas são especiais... Ela nunca vai saber do talento de Cristina e eu tenho medo de que esse talento, desapareça com o tempo. Porque é isso que vai acontecer quando ela se der conta de que a mãe dela não dá a mínima...

São crianças carentes de atenção e eu percebi isso logo na segunda semana, quando Cristina me disse que eu já era como se fosse da família, quando nós tivemos dificuldade para responder uma questão em que pedia a ajuda de um parente. E percebo isso também quando ela corre para me abraçar, quando eu vou embora e diz:

- Tia, vai chover... É melhor tu ficar aqui... ou prefere pegar uma gripe?

E quando eu digo que vou mesmo assim...

- Mas se chover tu volta, né? Volta na hora, viu tia? Tu promete que volta? Tu vai se molhar...

Quando se decide ter um filho, é preciso ter conciência de todas as responsabilidades que ele traz e querer essas responsabilidades. Quando se tem um filho, é para se curtir isso... Cada momento, cada sorriso, cada desenho... Não deve ser encarado como um dever trabalhoso e chato ou uma forma de dar satisfação para a sociedade só pelo fato de ter se casado.

Os pais devem educar seus filhos e não pagar outras pessoas para fazerem isso por eles. Essas crianças precisam disso. O que vai ser desses indivíduos quando eles crescerem? Que espécies de adultos eles serão? A resposta que eu tenho aqui não é animadora...

Nos dias de hoje, você só tem filhos se quiser e, é por isso mesmo, que ser pai ou mãe deixou há muito tempo de ser uma obrigação como que para perpetuar a espécie ou coisa do tipo. Por isso, deve ser prazeroso, sublime, único e mágico. Quando decidir ser pai ou mãe, saiba do verdadeiro significado dessas palavras e dê ao mundo, pessoas de caráter e com valores, porque elas é que vão levá-lo adiante.

É isso aí!!



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